domingo, 14 de julho de 2013

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Não me julgue louco, ou julgue se assim o achar. Na verdade, nem eu mesmo me entendo muito.

Se tudo o que passa na minha cabeça fosse analisado à luz da razão, uma hora dessas estaria num manicômio.

Num dia bem sem graça, véspera de um feriado no meio da semana, em meio àquelas luzes cintilantes, refletores sincronizados... nos cruzamos, ou melhor, nossos olhares se cruzaram. As centenas de pessoas em volta se reduziram a uma.

Não teve frio na barriga ou qualquer outro daqueles sintomas malucos que às vezes sentimos. Apenas dois olhares fixados. Depois de uma iniciativa necessária de sua parte, finalmente me permiti. Há tempos não sabia o que era isso.

Sabe quando as coisas se encaixam com naturalidade? Sem pressão alguma? Pra mim foi assim, NATURAL.

Os encontros seguintes foram mais tranquilos, pudemos conversar, nos conhecer, mesmo que pouco. Da minha parte, não me importaria em ficar ali, ouvindo. Já falo demais no meu trabalho; na minha vida pessoal prefiro ouvir, observar.

Já faz tempo que não nos vemos, nesse interregno pouco nos falamos. Durante esse tempo fiquei me perguntando: será que realmente estou sentindo alguma coisa, ou é minha carência me consumindo? Ainda não sei a resposta.

Sei que saí do normal, tomei atitudes não usuais. Fui aquele que sempre “puxava” assunto, aquele que procurava, e em minha opinião, o que fazia o papel de chato. Isso não combina comigo.

Quando paro pra analisar, percebo muitas diferenças entre nós. Mas não chegam a ser incompatibilidades. Na verdade, acho que fico procurando motivos pra desviar meu foco. Confesso que já pensei em te excluir, para que não pudesse saber o que se passava com você. Mas não seria justo com você. Na maior parte do tempo acho que nem notaria.

A última coisa que você me perguntou quando nos encontramos, foi se eu tinha vontade de ter um relacionamento. Hesitei, mas não pensei, respondi logo o que passou pela minha cabeça. E agora eu repito, não sei se é vontade, mas sim necessidade. Eu preciso viver com alguém de novo, pra poder me encontrar. Meio louco isso, né ?

Chego a conclusão que mesmo vivendo em um mundo totalmente diverso do meu. Estando em um tempo, aparentemente, aleatório. Encontro em você, pontos que consigo me identificar de alguma forma, seja pra uma amizade, uma convivência, sei lá.

Com esse texto não procuro nada, é sério. Eu me entendo melhor quando escrevo, mesmo que não faça muito sentido. Não quero resposta, afinal, nem pergunta eu fiz. Só queria mostrar o que se passa na minha cabeça. 

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora... (Renato Russo/Dado Vila-Lobos)